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BRASIL - Crônica de sonhos surrealistas nesse período de eleições (por Marilza de Melo Foucher)

quinta-feira 26 de outubro de 2006, postado por Marilza de Melo Foucher

Ando com minha cabeça acumulando muitas informações que invadem a tela de meu computador, principalmente nesse período de eleições. Aliás, já estou começando a ficar saturada, apesar de gostar muito de política e ter sempre um grande interesse por reflexões políticas. Muitas matérias são bem-vindas e alimentam meu intelecto guloso de aprendizagem. Outras são horrorosas, mas como boa democrata, termino fazendo um esforço para lê-las. Hoje, na era avançada da cibernética, faço um esforço para associar os dois universos de
leitura: uma a partir dos livros e outra a partir da comunicação virtual dedicada à leitura de artigos, textos, jornais brasileiros, europeus e da América Latina, poesias e cartas eletrônicas de amigos, embora eu faça parte daquelas que gostam de receber cartas pelo correio normal. Todavia, cedi à facilidade da Internet.

Logicamente, dou prioridade aos livros, que continuam ser meus sagrados companheiros de sempre, faço parte daquelas leitoras que se abraçam, rolam e se enrolam nas frases de uma boa leitura. Gosto principalmente de saborear a sonoridade das palavras escritas de forma poética. Tenho tentado, às vezes, aventurar-me a entrar na cidade dos poetas pela porta dos fundos e de modo tímido escrevo improvisações poéticas que compartilho com os amigos mais íntimos e família. Criei um espaço para meu ócio criativo, tendo em vista que hoje tenho mais tempo livre que anteriormente.

Como o momento atual é político, o acúmulo de e-mails e leitura de jornais de acesso gratuito, começa realmente a me saturar. À noite tenho pesadelos, sonho com o Brasil dividido em cinco países, imagens de guerra civil, com Heloisa Helena criando sua República Independente de Alagoas, com Paulo Maluf Presidente de São Paulo e Clodovil Primeiro Ministro. Com o Sul disputando o Norte, o Centro-Oeste disputando o Sudeste, o Nordeste invadindo o Sul, etc. Às vezes sonho com a Cabanagem, Farroupilhas, Galvez Imperador do Acre, com a Inconfidência Mineira.

Para dissipar meu mau humor depois desses sonhos surrealistas, logo que acordo, coloco o CD d’Aquarela do Brasil.

Aí, meu Brasil Brasileiro, quem ousa te dividir? É isso que dá ficar lendo todas as bobagens e teses racistas da direita reacionária brasileira e de internautas exaltados que não apreciam os debates de ideias.

Mas entre pesadelos tenho também alguns sonhos utópicos. Aliás, sonho até acordada, eu integro uma espécie de seres humanos em quase extinção que são os teimosos utópicos. Nesta semana li pouca coisa sobre o Brasil, meu computador pirou de vez e mandei-o para o analista cibernético, estou usando o da minha filha Maíra e me canso com o teclado francês que não tem corretor de português. Isto me levou a diminuir minha leitura virtual e talvez , explique a diminuiçao da intensidade dos meus pesadelos!

Desta vez sonhei com o debate da Globo e meu espírito vagabundo visitou todos os bastidores «globais», foi aos arquivos, viu um monte de gente trabalhando num frenesi total, numa sala paralela escutei um bate-boca dos chefes sobre o famoso «dossiê sanguessugas» que agora é o dossiê do PT.
«Temos que nos preparar rápido, o FHC nos espera para o último»brefing«, o Alckmin já foi para a Veja, pareciam todos atacados de neurastenia política».

Se depender da empresa Globo o «metalô» Presidente Lula da Silva não assume o poder? Perguntei a um jovem belíssimo que parecia ser um desses artistas de novela da Rede Globo. Ele me olhou espantado, perguntou se eu era jornalista da Folha de São Paulo e não me deixou responder, já foi
dizendo: - chegamos à conclusão que não vai adiantar nada a segunda montagem do «dossiêgate». A direção já pediu uma reunião com o futuro Presidente Lula.

A Empresa Globo vai propor fazer uma campanha gratuita em horário nobre na televisão, nas rádios e jornais associados, onde cada dia um brasileiro e uma brasileira contam uma história de seu cotidiano relacionado à corrupção.
E termina dizendo : Corrupção, nunca mais! Hoje me livrei do vírus maldito, estou vacinada!

Eu incrédula, não podia nem lançar uma pergunta, já extasiada pela beleza e sensualidade do jovem, pedia para meu espírito vagabundo não me acordar.
Pelo amor dos Orixás, do meu bom Deus eu quero continuar a sonhar. E o jovem começa a ler alguns scripts já preparados. Entusiasmado me faz entrar numa sala, pede um cafezinho para mim, bebe um gole de água, lambe os lábios e continua a ler os scripts :

Hoje é vez do Sr. Casanova ( um novo rico de Manaus): Eu hoje pago meus impostos corretamente, não falsifico nenhum comprovante da declaração de rendas. Aceitei, inclusive, pagar o imposto sobre minha grande fortuna, sobre meu verdadeiro patrimônio;

A Sra. Fischer (de Porto Alegre) : Decidi não burlar a lei para transferir grande parte de meu capital do Brasil, eliminei os depósitos em dólares nos paraísos fiscais;

Depois aparece Dona Etelvina (Salvador) que diz: Agora viajo para o Paraíso Fiscal (em geral situado em belíssimas ilhas) e para outros países com facilidades fiscais tais como Suíça, Luxemburgo apenas em férias e ainda faço publicidade do Brasil para os antigos amigos grandes capitalistas virem investir no Brasil.... Antes eu pagava passagem para minhas amigas, cada uma trazia uma bolada de dinheiro para depositar nas minhas contas fantasmas !
Elas hoje trabalham comigo, cansaram de passar o dia comparando preços das bolsas Prada, Louis Vuitton, Lancel e outras marcas, a vida delas começava a ficar monótona demais, hoje sabem o valor do trabalho !

Sra. Almeida (São Paulo): Estou fazendo um leilão de bolsas, óculos e sapatos Chanel na Daslu, patrocinadas pela Rede Globo. Sucesso total ! Com o dinheiro arrecadado, a Daslu financiou uma fábrica brasileira de Confecções na Zona Leste e outra fábrica de bolsas e sapatos na zona Sul de São Paulo.
Criei mais de 5.000 empregos, todos com contratos de trabalho e salários dignos;

Sr. Virgílio (Minas Gerais) classe média: Eu peço Nota Fiscal de tudo que eu compro, peço com o preço real; quando viajo a serviço e vou ao restaurante com amigos, peço Nota Fiscal separada, não faço arranjos com o garçom para colocar numa única Nota. Peço para colocar o valor real do que consumi, meus amigos não entram no cálculo;

Dona Emilia (Rio de Janeiro) diz: O dinheiro não é do Estado, eu sou contribuinte do Estado, se eu afundo o Estado estou me afundando com ele!
Hoje faço economia de caneta, papel, nada de levar para casa nenhuma coisa do escritório;

Sr. Antonio (Paraná): Quando uso o carro da empresa para trabalhar e vou ao posto de gasolina, coloco apenas o que necessito, não encho o tanque...

Eu, Dona Maria, sou pobre não pago imposto, sou isenta, logo que ganhe um pouco mais pagarei com orgulho, pois vou praticar justiça social, meu dinheiro vai para um grande bolo que será dividido em serviços públicos de qualidade para todos. Nunca vou sonegar imposto, pois o imposto é sinônimo de Justiça Social ;

Eu, Deputado Piresnamão (Alagoas), tenho fidelidade partidária, fui eleito para defender o interesse coletivo, não sou mercadoria para ser comparada nem vendida.

Eu, Douglas estou fazendo vestibular nunca colei e não preciso pagar cursinhos. Em meu colégio os professores fazem cursos de capacitação e tiveram salário aumentado. Hoje têm apenas um emprego e abriram mão dos outros bicos;

Fui puxada pelo braço, era meu marido que me acordava para eu ver o resultado das eleições : O Lula ganhou as eleições! Acho que continuo sonhando.

Marilza de Melo Foucher, Consultora Internacional.

78220-França

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